O CASAMENTO DIGITAL
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presenciais e a distancia.
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Por :Felipe Porciúncula, fone photos/uol, 28/12/2004
No Brasil, acontecem 1,7 milhão de casamentos por ano. Isto significa um público de quase 24 milhões de pessoas, entre noivos, familiares, amigos e padrinhos, segundo dados da Expo Noivas e Festas. Para seduzir com mais vigor esta clientela, muitos fotógrafos estão partindo para a tecnologia digital. Mesmo aqueles que ainda utilizam os filmes para captar as imagens, fazem a edição dos retratos de forma eletrônica. É o caso do fotógrafo Laércio Checa, que durante 15 anos fez casamentos em película. Há cerca de três anos ele começou a perceber que seus colegas estavam migrando para a linguagem megapixels, com resultados mais eficientes. “Resolvi me preparar para a mudança. Li bastante sobre os recursos digitais e no ano passado comprei uma câmera EOS 10D da Canon, com resolução 6,3 MP”, lembra Checa, que continua usando os dois formatos. “Fotografo sempre em dupla, depois escaneio aquelas com negativo e aproveito as melhores fotos”. A razão do trabalho com dois equipamentos é garantir a segurança de que nenhum detalhe da festa será perdido. Há quem prefira continuar clicando com a sua 35 mm sem renunciar ao Photoshop. “Quando transformo meu negativo em arquivo, ele já chega no micro com 12 megapixels. Para eu fotografar com essa resolução em digital, tenho que fazer um investimento muito alto, porque os custos dobram. Prefiro manter essa captação em filme, que fica mais em conta”, afirma o fotógrafo José Alves. Existem ainda aqueles que estão no caminho do digital: “Como as ampliações para casamento são de, no máximo, 24x30, não existe problema de adotar o digital. O segredo é escolher o equipamento mais apropriado e para isso é preciso conhecer vários modelos”, salienta o fotógrafo Ernesto Eilers, que está planejando a compra da sua primeira câmera digital. Com 25 anos de estrada, na sua opinião “o mercado se profissionalizou muito e é preciso ter conhecimento profundo sobre a tecnologia digital e saber que ela custa mais caro, porém, em médio prazo, seu retorno é maior do que o do analógico”. Uma das novidades é que a revelação – antes feita por um laboratório – foi substituída pela edição eletrônica. Com isso aumentou a responsabilidade do fotógrafo. Há 15 anos no fotojornalismo, o paranaense Michel Willian resolveu se aperfeiçoar em fotos de casamento, além de trocar sua EOS 1N por uma EOS 10D. “Antes batia entre 10 e 15 filmes. Hoje bato o equivalente a 40 ou mais. Também tenho controle total do meu material. Hoje, se der algum erro na hora de copiar, a culpa é minha, pois eu mando os arquivos fechados para o lab”, conta o fotógrafo, que imprimiu em seus trabalhos seu estilo adquirido nos anos de fotojornalismo (veja em www.lucce.com.br). Preço e faturamento - A formatação dos álbuns é um bom exemplo de como esse processo de trabalho mudou. “São raros aqueles modelos tradicionais e sisudos. A tendência agora é contar a história do casamento com muita criatividade, incluindo uma paginação mais leve e fotos que mostrem o lado descontraído da festa”, diz Eilers. Isso inclusive é uma estratégia de vendas, porque é justamente nas fotos extras que reside o lucro do profissional especializado em eventos sociais. “É preciso seduzir o cliente para que ele queira ampliar o álbum, pois se o negócio se resumir ao pacote previamente fechado, o rendimento do profissional fica comprometido”, explica Checa. Para atrair mais os recém-casados, geralmente é entregue um CD com a maioria das fotos para que eles escolham aquelas que serão impressas em papel fotográfico. Tem até quem se cuida contra a pirataria. “Comecei a usar um software que impede a impressão e, no momento que a imagem é clicada, a fotografia desaparece”, coloca Checa. O interessante é que mesmo com o custo de dois álbuns, um virtual e outro em papel, o preço do digital ainda é menor do que o do álbum exclusivamente analógico. A diferença de preço é de 20%. Enquanto o preço por foto exclusivamente digital é 25 reais, o da analógica é 30 reais. “Nessa hora você percebe como pesa o preço da revelação”, relata Edgard Duprat, que utiliza uma câmera digital Sony Cybershot DSC S85 com 4,1 MP (que saiu de linha, mas tem a mesma qualidade dos equipamentos de 5.0 MP). Ele nunca trabalhou com filme e há dois anos fotografa em megapixels. Sua experiência vem do vídeo digital, com o qual trabalhou durante 15 anos. As facilidades – Em uma coisa todos concordam: no trabalho corrido de um casamento, o equipamento digital facilita muito a vida do profissional em alguns aspectos. Um deles é a correção das cores, que pode ser feita no momento de registrar a imagem. Também a profundidade de campo tem uma definição melhor, assim como a segurança de saber que todos os momentos da cerimônia foram captados. “Com uma câmera 35 mm, você nunca sabe se a velocidade estava com problema ou a objetiva não abriu e aí é inevitável aquele frio na barriga”, lembra Checa. Outra facilidade é que o digital não precisa de filtros, utilizando o mecanismo do white balance (idêntico ao que existe nas câmeras de vídeo), além de ser possível utilizar efeitos como sépia ou preto e branco. Sobre a limitação da cor no digital, Laércio acrescenta: “Apesar da cor que aparece no CCD não ser a real, você termina aprendendo a lidar com as tonalidades”. Expo - O mercado de eventos sociais está crescendo tanto que já existe até a Expo Noivas & Festas – maior feira nacional do setor, que no ano passado faturou 36 milhões de reais. Realizada no Rio de Janeiro e São Paulo desde 1994 e a partir de 1996 também em Belo Horizonte, reúne nas três cidades mais de 100 mil visitantes e conta com cerca de 450 expositores, entre empresas e profissionais especializados em festas. Em 2004, na versão paulistana da feira, quase 10% dos estandes eram do segmento áudio-visual. Como esse é um mercado muito heterogêneo, é importante cada profissional definir o seu diferencial. “Existe público para todos. O que significa que tem uma faixa que procura preço e outra qualidade. Agora, se você quer ficar no segundo grupo, tem que investir muito em equipamento e também em informação tecnológica” ressalta Duprat. Existe um certo consenso de que, principalmente o público jovem, gosta mais de fotografia e se esforça para pagar bem por um momento especial em sua vida. A AGILIDADE SEGUNDO WILLIAN ANTES 1. Comprar filmes e pilha 2. Ir para o evento 3. Levar o filme para revelar e fazer copião 4. Buscar e levar para o escritório para conferir, cortar e enumerar 5. Levar para encadernar 6. Levar para o cliente 7. Buscar e preencher envelopes 8. Levar para o laboratório 9. Buscar as fotos, conferindo necessidades de retoques e reenquadramento, além de adquirir o álbum 10. Montar o álbum 11. Entregar o álbum DEPOIS 1. Ir para o evento 2. Editar, numerar e criar um super copião em CD 3. Entregar para o cliente 4. Relacionar as fotos escolhidas enviadas por e-mail 5. Tratar e gravar as imagens em CD 6. Enviar para o laboratório 7. Entregar as fotografias e montar o álbum 8. Entregar o álbum DA REDAÇÃO PARA O SALÃO “Comecei a fotografar casamentos em junho de 2001. Foi num momento de necessidade. Comecei como free-lancer e me apaixonei pelo trabalho. Toda terça-feira de manhã eu ia ao estúdio para ver os filmes, olhava fotograma por fotograma para ver onde errava e poder corrigir da próxima vez. Conseguimos ótimos resultados assim. Teve cliente que chegou a comprar mais de 200 fotos minhas de casamento. Meus colegas perguntavam se eu estava louco de ir para eventos, mas eu, que tinha uns 12 anos de profissão na época, já estava com filho pequeno, preferia ter hora para sair e hora para voltar, mesmo que fosse no sábado ou na sexta, do que ficar de plantão numa redação sábado de manhã ou domingo à tarde, sem saber a que horas poderia voltar para casa”. Michel Willian MUDANÇA LENTA Danielle Pinto No fotojornalismo, o digital acabou com as distâncias. Na foto-publicidade, o digital diminui os custos de produção. Já na foto social, o digital ainda não conseguiu conquistar o seu espaço. A absorção desta nova tecnologia pelos fotógrafos que registram casamentos, festas de 15 anos, batizados e outros eventos sociais está sendo lenta e gradual, diferente do que aconteceu em outros ramos da fotografia. Segundo Marcos Braguetto, fotógrafo há 14 anos e há seis anos proprietário de um estúdio fotográfico no centro de Curitiba, o problema é a falta de conhecimento por parte dos fotógrafos. “O sistema analógico tem mais tolerância ao erro, porque a latitude do filme é bem maior e, se o fotógrafo errava, o laboratório consertava. No digital não existe tolerância para erro, a latitude é muito pequena e o controle sobre a imagem está somente nas mãos do fotógrafo”. Para ele, o digital na cobertura de eventos sociais exige muito mais técnica, já que é impossível fazer uma foto boa com uma câmera digital no modo automático e flash. “Muitos que se diziam fotógrafos e fotografavam casamentos só no modo automático, falam mal do digital porque jogam no TTL e a foto não sai. Para trabalhar bem com o digital é preciso ter conhecimento da técnica”. Trabalhando com o digital há aproximadamente um ano e meio, Braguetto já está familiarizado com o novo sistema e consegue oferecer aos seus clientes uma maior qualidade nas fotografias, já que o tratamento das imagens também é feito no estúdio. “O lado bom do digital é o domínio que o fotógrafo tem sobre a imagem. Não dependo mais do laboratório para nenhuma correção. Porém, para isto, é preciso investir em computador, software e na constante busca por conhecimento, já que, quando se fala em tecnologia, tudo muda muito rápido”. Com o sistema analógico, Braguetto fotografava com uma Pentax 645, médio formato. Hoje ele afirma conseguir uma qualidade superior com o sistema digital. A decisão de mudar do analógico para o digital foi tomada diante da necessidade de estar sempre à frente da concorrência. “O digital começou a entrar no mercado e vi que era a hora de mudar, para ser pioneiro e apreender sobre a nova tecnologia antes dos outros. Hoje o pessoal está se batendo para apreender uma coisa que eu já sei há muito tempo”. Sobre os custos, Braguetto afirma ter havido um aumento, já que agora o tratamento e a correção da imagem também ficam a cargo do estúdio. “Claro que em produção de books existe uma diminuição no custo de filmes, mas, por outro lado, temos que contratar mais pessoal, pois assumimos todo o serviço que era do laboratório”. Se antes do digital era só fotografar e enviar o filme para o laboratório, hoje é preciso tratar e preparar a imagem. Segundo Braguetto, tudo isto demanda tempo, software, conhecimento e pessoal especializado, ou seja, aumenta o custo de trabalho. “A principal vantagem do digital na foto social é o controle total sobre a imagem e uma melhoria na qualidade da imagem”, finaliza.
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