Composição e Estética Fotográfica
© Enio Leite, Escola Focus
O presente estudo é um resumo dos principais conceitos já visto nas aulas
práticas da Focus Escola de Fotografia. A linguagem fotográfica, como tudo, está em constante
processo evolutivo. Modifica-se e segue as tendências de cada época, de cada
momento. Para compreender estas transformações, o fotógrafo deve estar sempre
sintonizado com as imagens veiculadas nas principais mídias e estar atento
como a fotografia tem evoluído. Esta, enquanto linguagem, é reflexo direto
das características culturais e visão de mundo de sua época.
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Seja qual for a tendência, a fotografia antes de tudo deve ter boa estética, com
conteúdo técnico e informativo, para atingir seu objetivo: uma linguagem. E por
ser uma linguagem visual, a fotografia deve ser produzido com o propósito de que
qualquer pessoa, em qualquer lugar, possa entendê-la. Rever algumas regras de
composição e ter bom senso é essencial ao fotógrafo. As regras de composição
ajudam a construir imagens tornando-as mais agradáveis e compreensíveis.
Isso não quer dizer que se deva fazer fotos simplesmente contemporâneas; é
preciso ter criatividade e intelecto para criar imagens, respeitando estética,
técnica e linguagem. Se uma imagem incluir estes três itens, causará impacto e
captará o interesse do público por alguns segundos.
©Enio Leite, Escola Focus
A composição tanto na fotografia, como em qualquer mídia visual, tem suas bases
em dois princípios:
A) CORPO – Elemento ou conjunto de elementos de mesmo teor, a ser desenhado,
filmado ou fotografado.
B) ESPAÇO - Área onde esses elementos serão distribuídos e organizados: na tela
de pintura, no bloco de papel, ou no visor da câmara de cinema, vídeo ou
fotográfica.
ESPAÇO E PLANOS - Todo o espaço compõem-se de inúmeros planos, e são
justamente os elementos localizados nesses planos o ponto chave da distribuição
e seleção do nosso trabalho.
©Enio Leite, Escola Focus
A partir destes princípios, elaboramos alguns recursos práticos:
1) FOCALIZAÇÃO - Utilizando o recurso da PROFUNDIDADE DE CAMPO, podemos dar mais
ênfase a determinado objeto, abrindo mais o diafragma (e compensando na
velocidade, evidentemente...) afim de que os demais elementos, localizados em
planos diferentes saiam "fora de foco".
2) A FORMA - Ha vários meios de ressaltar a forma de um elemento dentro da
composição. Pode-se destacar o contorno de um objeto principal alterando o
angulo da câmara, e colocando-o em um fundo neutro e homogêneo, ou ainda
enfatizá-lo melhor aproveitando o efeito de uma luz que venha por trás, ou que o
ilumine lateralmente. A luz do começo da manhã, ou final da tarde poderá
ajudá-lo muito a obter diferentes formas e resultados do mesmo objeto. Observe o
tamanho das sombras das pessoas ou outros elementos nas ruas, vistas de cima no
final da tarde. Lembre-se sempre que quanto mais simples for o conteúdo da
imagem, maior força terá a sua mensagem. A utilização de baixas velocidades,
movimentos de zoom, panning e outros recursos técnicos para alterar sua forma e
evidenciar a sensação de movimento, podem produzir resultados de grande valor
estético.
3) TONALIDADE - Se a tonalidade do assunto for mais clara ou mais escura que o
fundo ou dos objetos que o rodeiam, este se realçará sobre os demais. Se
determinado objeto for o assunto principal, basta iluminá-lo bem sobre um fundo
plano de tons bem escuros. Se o espaço incluir outros motivos mais ou menos da
mesma tonalidade, deve-se realçar o motivo principal por outros meios, como por
meio da luz ou pela exploração visual do contexto.
4) ESCALA - Em iguais circunstancias, a atenção se concentra na maior unidade da
cena, seja ela um elemento ou massa de sombra ou luz. Para dar realce a este
elemento, é conveniente fazer com que este seja maior em proporção ao resto.
Este controle de tamanho é feito variando a distancia da câmara ou angulo da
câmera. Poderá haver distorção, dependendo de como a objetiva "olha" as coisas.
O tamanho aparente do objeto aumenta ao se aproximar da câmara, e diminui de um
ponto de vista mais distante. ©Enio
Leite, Escola Focus
5) SIMPLIFICAÇÃO TONAL - As condições atmosféricas, como a formação de névoa,
por exemplo, podem ajudar a eliminar detalhes desnecessários em tomadas
distantes. Quando estas formas aparecem a diferentes distancias, são separadas
por perspectivas tonais e aparecem como áreas de tons planos contínuos,
enfatizando sua profundidade visual.
6) ILUMINAÇÃO DE FORMAS - A iluminação é fundamental na representação visual do
volume e está diretamente ligada ao tipo e foco de iluminação utilizado.
7) AS SOMBRAS - As sombras, tanto as projetadas pelo próprio objeto com as
outras superfícies projetadas sobre ele, podem reforçar a forma. Em casos
extremos, a sombra sugere mais informação que o objeto.
8) MOVIMENTO E PERSPECTIVA - Qualquer objeto que se mova paralelamente à câmera
(como é o caso do “panning”) durante a exposição provocara linhas móveis, que
seguirão uma direção semelhante às linhas de fuga da perspectiva. As tomadas de
objetos moveis iluminados e as luzes de veículos em movimento formarão linhas
luminosas de ótimo efeito plástico. Este efeito é especialmente útil para criar
sensação de profundidade visual em fotografias noturnas
9) PERSPECTIVA - A perspectiva e o melhor procedimento para se criar à sensação
de tridimensionalidade fotográfica. A profundidade é especialmente importante
quando o elemento principal esta situada nas distancias medias. Mediante a
perspectiva linear pode-se conduzir o interesse até ele.
10) TEXTURAS – Texturas de material enferrujado, tinta descascadas, troncos de
árvores, muros velhos, folhas secas, terra rachada pela seca, produzem efeitos
abstratos muito criativos.©Enio Leite,
Escola Focus
11)REGRA DOS TERÇOS -
O fato de se colocar o assunto ou o objeto principal no centro do quadro, nem
sempre resultará em uma boa imagem. Normalmente a cena, com uma imagem
centralizada torna-se cansativa.
A melhor forma de resolver este problema é imaginar que o visor de sua câmera é
dividido horizontalmente e verticalmente por dois linhas eqüidistantes, formando
nove pequenos quadros. Todos os quatro cruzamentos, ou a posição das linhas são
bons lugares para se colocar o elemento principal da cena.
12)PONTO DE VISTA: Alto e Baixo -
Mude seu ponto de visão, fotografe de um local mais alto, de cima para baixo ou
vice-versa. As imagens ganharão uma nova e interessante perspectiva.
13)USE A COR -
Localize na cena cores fortes e impactantes.
Lembre-se de que as cores mais importantes, fotograficamente falando são:
VERMELHO, AZUL, VERDE E AMARELO. São as cores VAVÁ, as que se reproduzem melhor.
Incluí-las na sua imagem é certeza de ótimos resultados! Selecione elementos de
cores vivas dentro de uma atmosfera de cores tênues para criar contraste
marcante e interessante. Utilize também somente cores vibrantes (Cores VAVÁ) ou
tênues para dar ao ambiente clima ou atmosferas diferentes.
13)PERSPECTIVA -
Sempre que se fotografa utilizando linhas retas de um prédio, rua, etc, a imagem
ganha, com suas linhas que convergem a um único ponto, uma noção de
tridimensionalidade e profundidade.
14)PADRÕES -
Um quadro cheio de elementos com o mesmo formato, ainda que com tamanhos e cores
diferentes, forma o que chamamos de Padrões.
Os padrões podem ser encontrados na natureza ou ainda criados pelo homem.
Para encontrá-los, é necessário olhar a cena em partes e selecionar os padrões.
15)LUZ E SOMBRA -
Trabalhe o modelo ou objeto juntamente com a sua sombra projetada por luz
natural ou artificial para obter efeitos criativos.
16)TEXTURA -
Quando se fotografa a textura de superfícies, como árvores, paredes descascadas,
pele, a imagem transmite a sensação do toque.
O melhor horário para se fotografar textura é pela manhã ou tarde, pois a luz do
sol estará incidindo lateralmente.
17)MOLDURAS -
Use molduras para fotografar um modelo ou objeto. Essas molduras podem ser
janelas, portas, folhagens e outras formas, para definir melhor seu primeiro
plano.
Alguns itens a serem observados para se conseguir bons resultados enquanto se
fotografa:
A) VISÃO OU CONCEPÇÃO: Refere-se a escolha do assunto, originalidade do tema ou
da apresentação e sua criação. Pontos negativos: banalidade, imitação, confusão,
reprodução.©Enio Leite, Escola Focus
B)INTERPRETAÇÃO E TRATAMENTO: Adequadas ou não ao tema – Naturalidade ou artificialismo. Escolha adequada ou não ao processo utilizado. Há temas que apresentam excelentes resultados em Preto & Branco e outros em cores. Pontos negativos: interesse restrito, limitado ou de caráter pessoal, simples documentação.
C) COMPOSIÇÃO E DISTRIBUIÇÃO: Arranjo harmonioso dos elementos que formam e integram o quadro, formas linhas, massas, tons, luzes e sombras – Ângulo de tomada, perspectiva, utilização da profundidade de campo – Cores e enquadramento – Equilíbrio – Harmonia das Cores ou dos Tons de Cinza, quando for o caso.©Enio Leite, Escola Focus
D) TÉCNICA DE MANIPULAÇÃO: em Photoshop ou Fotoacabamento – Qualidade da cópia ou da ampliação. Definição, textura, rendimento tonal – Boa ou má execução técnica do processo utilizado – aproveitamento e rendimento das cores, quando for o caso – Acabamento e apresentação.
Lembre-se sempre: Estética,
qualidade técnica e conteúdo informativo são os três
elementos básicos que diferem seu trabalho.
©Enio Leite, Escola Focus
Enio Leite
Focus – Escola de Fotografia.
http://www.escolafocus.net