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Deu “pau” no cartão de memória, e agora?

Saiba como funciona o cartão de memória, como evitar problemas e o que fazer se as imagens sumirem.

Por Érico Elias

O filme está com seus dias contados entre os fotógrafos profissionais. Mas a mudança para a tecnologia digital, além de facilidades, traz novos problemas, que exigem outros tipos de cuidados para que eles sejam evitados.

No lugar do filme, entra em cena o sensor, que irá captar a imagem, e o cartão de memória, que irá armazená-la. Um problema que tem se tornado recorrente é a gravação inadequada dos dados no cartão de memória, o que pode causar a perda parcial ou integral das fotos em um trabalho.

Quando se trata de um trabalho jornalístico, na qual estão presentes outros fotógrafos, ou mesmo de um still em estúdio, que pode ser facilmente repetido, o problema pode ser facilmente contornado sem prejuízos profissionais.

Mas quando se trata de um evento único registrado exclusivamente por um fotógrafo, como casamento, formatura ou festa de aniversário, a perda das imagens pode trazer sérios problemas.

Casos recorrentes

Antonio Calino é fotógrafo profissional em Volta Redonda (RJ). Com quase 50 anos de profissão cobrindo casamentos e eventos sociais, ele migrou para a fotografia digital há cerca de um ano e já aposentou completamente o uso de filmes em trabalhos comerciais.

Recentemente, ele cobriu um casamento munido de seu Nikon D100 e de cartão de memória de 256 MB da marca Sandisk. O cartão ficou pardo cerca de uma semana quando o fotógrafo foi baixar as imagens no computador, descobriu, atônito, que não era mais possível acessá-las.

“O computador se recusava a abrir as imagens. O contador da câmera acusava que as imagens estavam lá, mas não dava para visualizar nada, pois os arquivos estavam corrompidos”, explica Calino.

Ao se deparar com o problema, o fotógrafo saiu em peregrinação para recuperar as suas imagens. Até que conseguiu com um amigo um software que resolveu o a questão, recuperando 140 das 150 imagens que fez.

“Tenho um cuidado enorme com meus equipamentos e simplesmente não sei o que aconteceu. Muitos colegas de trabalho já passaram pela mesma situação. Já inventaram até uma sigla para a explicar a causa do fenômeno, SDS: só Deus sabe”, brinca Calino, em tom cáustico.

Dentre os diversos casos que relatou de problemas enfrentados por colegas, de trabalho, o mais trágico ocorreu em Juiz de Fora (MG). Um fotógrafo renomado na cidade cobriu um casamento civil e as imagens gravadas no cartão simplesmente sumiram.

Com conhecidos no cartório da cidade, o fotógrafo propôs refazer as fotos. Mas os noivo se recusaram e aproveitaram o acidente para entrar com um processo judicial, que resultou em um indenização de R$ 2,7 mil.

Problemas operacionais

Excetuando os casos de falha humana, é possível levantar as causas mais freqüentes para a gravação inadequada de dados nos cartões de memória. Atacar as causas é a melhor forma de evitar que acidentes ocorram.

Roberto Valverde é especialista em recuperação de dados de cartões de memória e trabalha na Proelbra, empresa sediada na capital paulista. Segundo ele, a causa da maioria dos problemas tem origem operacional, ou seja, não ocorre por defeito físico, mas por conflito na troca de informações entre a câmera, o computador e ou cartão.

“Os castões de memória são bastante robustos e agüentam bem o dia a dia do fotógrafo profissional. Já atendi com sucesso até um caso em que o fotógrafo esqueceu o cartão no bolso da calça e foi direto para a lavanderia. Então, então a maioria dos problemas ocorre porque os dados foram gravados de forma inadequada, e não por defeito do cartão”, explica Roberto.

Para que as imagens sejam gravadas corretamente no cartão, é preciso que a câmera consiga “conversar” sem problemas com ele. O cartão é apenas a base física, o chamado hardware, que será usado para armazenar as imagens captadas pela câmera segundo especificações contidas em seu software.

Para deixar o cartão preparado para receber as imagens, o mais adequado é formatá-lo na câmera em que for usado antes de começar a clicar. O verbo formatar deixa claro: o cartão ficará no formato mais adequado para gravar aquele modelo específico de câmera.

Nos casos em que o cartão for formatado a partir do computador, é preciso sempre usar o software que vem com a câmera em que o cartão será usado e não fazê-lo diretamente no gerenciador de arquivos do sistema operacional. Ou seja, se quiser evitar “conflitos” entre a câmera e o cartão, não apague as imagens diretamente no Windows Explorer.

Não é prudente nem colocar e nem tirar o cartão com a câmera ligada ou plugada na corrente elétrica para carregar a bateria. Muitos modelos desligam automaticamente quando a tampa que protege o cartão de memória é aberta, mas não custa ser precavido.

Ao colocar o cartão no leitor para descarregar as imagens no computador, este deve estar ligado e com o sistema operacional já completamente carregado.

É desaconselhável o uso do cartão para fins alheios à fotografia, em outros tipos de produtos eletrônicos ou para carregar arquivos que não foram gerados por uma câmera digital.

Os problemas operacionais são os mais fáceis de serem resolvidos e as possibilidades de sucesso na recuperação das imagens são muito grandes.

 

Causas Externas

Muitos boatos correm no meio fotográfico sobre causas externas que podem atuar quando se apaga dados em cartões de memória, como a proximidade de ímãs, televisores ou telefones celulares. Segundo Christian Maldonado, diretor geral da Kingstone no Brasil, os cartões de memória fabricados pela empresa não são sensíveis a campos magnéticos ou elétricos. Assim, não estão suscetíveis a interferências de aparelhos eletrônicos ou imãs.

“Os cartões suportam pressão de até duas atmosferas, por isso é muito difícil ocorrerem problemas com acidentes de causas externas. Talvez o calor ou a água possam danificar, mas aí é necessário o bom senso do fotógrafo, molhar o cartão ou deixá-lo jogado no painel do carro debaixo do sol” explica ele.

Como todo cuidado nunca é excessivo, não convém expor o cartão de memória a campos magnéticos, a aparelhos que emitem sinais de rádio freqüência, nem ao calor ou à umidade excessivos. Nas viagens internacionais, os aparelhos de raio-x presentes em aeroportos também devem ser evitados.

Os circuitos eletrônicos dos cartões são bem protegidos pela caraça, mas o usuário deve ter cuidado durante o manuseio para não tocar terminais de contato. Os modelos com padrão xD-Picure exigem ainda mais esmero, pois seu tamanho reduzido faz com que os terminais ficam mais expostos.

Software de recuperação de imagens

Rogério Tomazela é técnico em informática do laboratório digital InstanColor, na capital paulista. Apesar de trabalhar com ampliações digitais, ele revela que é cada vez maior o número de fotógrafos que procuram o laboratório para recuperar imagens de cartões de memória. Segundo ele, o uso de um software é suficiente para resolver a maioria dos casos.

“Nos cartões de memória, os dados são gravados em seqüência. Conforme a câmera vai gravando as imagens, ela gera um índice que diz em que parte cada foto foi gravada. A maioria dos problemas ocorre porque esse índice foi corrompido e fica impossível reconhecer aonde está cada imagem. Mas os dados continuam lá, intactos. Os softwares de recuperação agem lendo diretamente os dados e fazendo o índice de alocação”, explica Rogério.

Como os dados são gravados seqüencialmente no cartão, na maioria das vezes é possível recuperar todas as imagens sem danos.

Rogério recomenda um software gratuito que ele tem usado com muito sucesso, o PhotoRec. A interface do programa é bem simples e só demanda que o usuário saiba ler em inglês. Pode ser baixado no site www.cgsecurity.org.

Há opções de softwares gratuitos para recuperação de imagens, que podem ser encontrados em sites de downloads, como: superdownloads (www.superdownloads.ubbi.com.br ) e o baixaki ( www. baixaki.ig.com.br  ).

Dentre os softwares vendidos, os mais conhecidos são aqueles comercializados por fabricantes de cartão de memória. A ScanDisk vende na internet o PhotoRecovery por US$ 40,00. Já a Lexar comercializa o software ImageRescue, que pode ser encontrado no mercado americano por cerca de US$ 30,00. Alguns programas vendidos oferecem versões de teste para download.

O uso de software em casa para tentar recuperar dados pode danificar ainda mais o cartão de memória, mas Rogério não desaconselha. “Acho que as pessoas têm que testar, buscar opções para resolver os seu problemas. Claro que há riscos, não tem jeito, mas comigo nunca aconteceu de prejudicar mas ainda a situação” conta ele.

 

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