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FOTOGRAFIA:
EVOLUÇÃO OU REVOLUÇÃO?
Saskia Beck
http://www.escolafocus.net
Ao longo dos séculos a arte de registrar imagens evoluiu
dos desenhos nas paredes das cavernas, passando pela
pintura, chegando à fotografia e ao cinema. A
necessidade do ser humano de registrar imagens é muito
antiga, a fotografia não foi inventada por uma única
pessoa, em uma época determinada da história, ela é
fruto de um trabalho contínuo de pesquisas e descobertas
desde o século V a.C. até os dias de hoje. A fotografia
nasceu em preto e branco, surge como a soma da
necessidade humana de comunicação, registrando com
precisão a informação
visual.
A nova percepção da realidade conturbou a Europa do
século XIX. Como entender que a fotografia viria para
ficar, a não ser em substituição às tradicionais formas
de representação?
A pintura há muitos séculos, privilégio de alguns poucos
aristocratas, democratiza-se com o aparecimento da
fotografia, o nobre deixa de ser o único a poder
fazer-se reproduzir e ostentar.
Essa corresponde a uma fase particular da evolução
social para o modernismo. A ascensão da burguesia
representava um maior significado político e social.
De todas as manifestações artísticas, a fotografia foi a
primeira a surgir dentro do sistema industrial. O
mercado encontrava-se numa fase de profunda mudança,
pode-se dizer que a fotografia neste contexto atingiu a
todos por meio de novos produtos, ela possibilitou a
maior democratização do saber, tornando o mundo portátil
e ilustrado.
Assim como a Revolução Industrial não eliminou o sistema
de manufaturas, mas enfraqueceu-o como fonte de renda e
trabalho, a fotografia trouxe a veracidade e seu
surgimento contribuiu diretamente para que todos os
segmentos artísticos passassem por uma profunda
reflexão,evidenciando as relações que unem o período
introdutório à fotografia com a evolução da própria
sociedade.
Desde o final do século XIX, vários métodos para a
produção de imagens fotográficas coloridas foram
propostos, mas nenhum deles mostrou-se viável para
trabalhos fora de laboratórios. O domínio da cor na
fotografia e sua utilização no dia-a-dia tornaram-se
realidade em 1935, quando a companhia fotográfica
norte-americana Kodak desenvolveu o processo Kodachrome,
que reunia em uma única película de emulsão todas as
camadas de material sensível às cores primárias. Estas
camadas eram formadas por materiais de diferentes
composições, que permitiam a revelação da mesma película
com banhos diferentes para a produção das cores
primárias, formando a imagem positiva colorida.
Com o surgimento dos filmes coloridos, muito se falou no
fim da fotografia preto-e-branco. Mas sabemos que isso
não aconteceu. Esta sobreviveu tornando-se uma opção
artística, os filmes preto e branco tem maior riqueza de
tons, além de facilitar a abstração das imagens, o que
nos permite criar algo que não é um
registro, mas sim um diferencial. A falta de cor torna a
imagem registrada mais distante do nosso olhar
(colorido), o que facilita a busca de um registro além
da realidade (poesia fotográfica), ou de uma outra
realidade já extinta despertando saudosismo. Sem a
presença das cores podemos perceber melhor as formas,
expressões e tonalidades.
A introdução da cor, porém, não significou uma revolução
conceitual na fotografia. A cor teve, com efeito, um
impacto relativamente pequeno no conteúdo e estética,
apesar de ter eliminado o último obstáculo utilizado
pelos críticos do século XIX para lhe negarem o estatuto
de arte.
Cada vez mais aperfeiçoada, a fotografia iria
desempenhar um papel decisivo como forma de documentação
e dado
informativo. Ao mesmo tempo a introdução da cor na
fotografia reforçava de certo modo a sensação de
realismo.
Co-existem, agora, a fotografia química e a eletrônica.
Atribuem-se ao século XIX a invenção e aperfeiçoamento
da técnica fotográfica. Ao século XX a evolução das
aplicações, controles, cor e o formato digital na
fotografia, cinema, televisão e todos os usos
científicos. Com a foto eletrônica a matriz fotográfica
torna-se intangível, ou seja, desaparece o filme. É
Virtual
por definição, não palpável, ela está ausente do mundo
das coisas concretas.
A fotografia vive uma crise de identidade com a
revolução digital, similar à que a pintura enfrentou com
a invenção da fotografia. A evolução da linguagem
fotográfica segue, em estreita dependência do seu
contexto histórico, numa relação evidente entre a
evolução da linguagem e as condições sociais em que a
fotografia, enquanto meio de expressão evolui.
A fotografia digital não é novidade no meio científico.
Ela foi desenvolvida na década de 60, durante o período
da “Guerra Fria”, quando os Estados Unidos e a extinta
União Soviética, pela disputa ideológica e espacial,
dividiam o mundo com imagens de vôos espaciais,
transmitidas às bases terrestres através do sistema
digital, ainda embrionário. A partir dos anos de 1990 a
nova tecnologia começou a chegar ao grande publico
e, desde então, a fotografia vem experimentando uma
grande transformação, com forte impacto nas empresas do
setor e usuários de câmeras.
Hoje temos à disposição ferramentas para capturar uma
imagem de forma digital, ou digitalizar imagens já
existentes e facilmente manipulá-las em praticamente
todas as suas propriedades, desde saturação, brilho,
contraste e nitidez, até a própria forma dos elementos
que compõem a foto. Muitos têm criticado esta
manipulação digital, porém o que ocorre é a sofisticação
dos recursos de edição e montagem, sempre utilizados por
fotógrafos.
A fotografia tem sido um campo vasto de pesquisa com o
objetivo de reproduzir imagens do mundo que nos cerca. É
difícil prever o futuro da fotografia, mas uma coisa é
certa: a fotografia digital veio para ficar. O que não
significa, de modo algum, o fim da fotografia química.
Muitos mecanismos e processos diferentes surgiram e
desapareceram ao longo dos séculos e muitos ainda virão
e desaparecerão, mas sempre haverá nostálgicos, com suas
máquinas manuais e filmes em P&B. Isto não é ser
desatualizado, é apenas uma diferenciação daforma de se
expressar. E também cada vez mais surgirão os
entusiasmados pelo novo. Porém, alguns princípios
básicos são constantes ao longo de toda a história,
apesar dos diversos meios e recursos utilizados para se
chegar ao mesmo objetivo: registrar na lembrança, a
existência.
Neste aspecto a fotografia digital ainda não cumpre a
sua função, considerando que as mídias eletrônicas,
devido à rápida obsolescência tecnológica, ainda não
encontraram um meio seguro de preservação como os
sistemas fotográficos anteriores.
Referencias Bibliográficas:
Departamento de Artes e Design, Puc Rio.
LEVY, P.
O que é o Virtual
. São Paulo: ed. 34. 1996
Prof. Ricardo Iglesias
Unicamp
O advento da Fotografia
Prof. Enio Leite
Focus – Escola de Fotografia
www.focusfoto.com.br
Marília Levacov
FABICO– (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicações)
Eduardo Castanho
Imager Workshops de Fotografia Analógica & Digital
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